segunda-feira, 10 de outubro de 2011

ENTREVISTA COM O PROFESSOR RONALDO ARNONI

No ano passado fizemos uma enquete com os alunos e ex-alunos do curso de Publicidade e Propaganda para saber quais seriam os professores que eles mais gostariam que nós entrevistássemos. Entre os mais votados estava o professor Ronaldo Arnoni, que se prontificou a conversar com a equipe da Agência Experimental AX e compartilhar um pouco mais de sua experiência profissional e de vida.

AX) Quem é Ronaldo Arnoni ?
RA) Nasci em 20 de março de 1960, cresci na zona leste de São Paulo onde, estudei em colégios públicos. Morava com os pais sendo o segundo de 5 irmãos; aos 11 anos começei a trabalhar como ajudante de farmácia.

AX) Quantos e quais cursos é formado?
RA) Aos 18 anos começei a graduação de teologia mudando aos 20 anos para o curso de filosofia. Conclui também licenciatura em história e psicologia, mestrado em filosofia, pós-graduação em sociologia e doutorado em filosofia.

AX) Há quanto tempo leciona na Unifieo ?
RA) 20 anos.

AX) Quais são seus Hobbies?
RA) Jogar e assistir futebol, colecionar chapéus, cinema, leitura, teatro, música, viagens, namorar e estar com os amigos.

AX) O que pensa em relação a sua escolha para a entrevista, por parte dos alunos?
RA) Acredito que seja afinidade e empatia.
AX) Já realizou alguma palestra fora do país?
RA) Ainda não. Participei de alguns congressos internacionais, mas palestras só no Brasil: Rio de Janeiro, Manaus e Recife.

AX) Se pudesse escolher ser alguém da mitologia, quem seria? Porque?
RA) Eu seria Pigmaleão. Diz uma lenda grega que Pigmaleão, rei de Chipre, uma ilha do mar Mediterrâneo, esculpiu certa feita uma estátua de marfim reproduzindo o que para ele seria a mulher ideal, mas acabou ficando apaixonado por ela. E seu amor era tanto que o monarca escultor passou a pedir à deusa Afrodite (Vênus) que transformasse sua criação artística em uma mulher verdadeira, de carne e osso, sendo tão insistente nesse apelo que a divindade finalmente decidiu atendê-lo, dando vida à estatueta. Esta recebeu o nome de Galatéia, casou-se com seu criador, dando-lhe, inclusive, um filho chamado Pafos.

AX) A filosofia poderia ser algo mais presente nos diferentes setores da educação?
RA) Sim. Poderia e deveria. A construção de uma consciência do mundo e de si, passam necessariamente pelo campo de reflexão.

AX) Poderá um dia existir uma lei mais emotiva que racional incentivando as pessoas a cuidarem umas das outras não com dinheiro mas com atenção e respeito?
RA) Infelizmente não, pois deve ser um sentimento que deveria partir do ser humano, sem que fosse algo forçado por alguma lei pré-definida. Infelizmente em nós não resiste apenas a idéia de bondade.

AX) Acredita que um dia seremos conscientizados que o outro também é humano em relação a respeito e consideração para com o outro ou precisamos de algo com mais impacto?
RA) Não se pode eximir o Estado de sua obrigação. A qualidade de vida é uma obrigação do Estado, sendo que ninguém pode tirar esse dever do mesmo. Se ele deseja existir, deve cumprir com suas obrigações sendo elas saúde, educação, etc. Aceitar o outro como um igual é o grande desafio social do momento. Apenas no final do século XX e no início do século XXI as questões como estas ganham certo destaque nas Ciências Sociais. Mas não faremos nada forçosamente, ou seja, a lei não garante (somente ela) que possamos enxergar o outro e respeitá-lo.

AX) Pesa sobre a publicidade o fato de empurrarmos produtos que os consumidores não necessitam. Por analogia, pode-se comparar com professores universitários que empurram alunos despreparados?
RA) O aluno de publicidade e propaganda é instrumentalizado, teoricamente, para a arte do convencimento. O problema é como se utiliza da profissão. Podemos levar a apropriação do conhecimento para caminhos que tanto libertam como aprisionam.

AX) Suas aulas carismáticas causam impacto em alguns estudantes, quando analisa os futuros profissionais como vendedores de ilusão, como entenderíamos o papel dos professores sendo eles mestres no assunto?
RA) Os professores são o meio para se atingir o fim. Sendo ele o transmissor do conhecimento, o aluno se apropria e emprega o mesmo como melhor definir. Há “educadores” e “professores”, e eu me considero um professor.

AX) Washington Olivetto diz que “Publicidade é sedução, não estupro”. Na sua opinião, a sedução na publicidade tem o efeito de controlar as mentes de uma maneira negativa?
RA) Não. Há o fato da publicidade que vem para o bem, como a divulgação de epidemias e doenças para o conhecimento do público. Campanhas para o coletivo são muito importantes, sendo de utilidade pública. O começo de tudo é mais difícil. Olivetto acredita que existe uma espécie de “permissão” do consumidor. Discordo dele. Um país em que a grande maioria das pessoas não conseguem refletir sobre si mesmo, esse tipo de estupro é inevitável.

AX) Você se recorda de algum comercial que tenha sido honesto, criativo e que de quebra ainda tenha lhe despertado o desejo?
RA) Cito as campanhas da marca whisky Jhonnie Walker como não honestos, porém, criativos.

AX) Qual a maior experiência que já teve profissionalmente?
RA) Lecionar é a maior experiência.

AX) Porque escolheu algo tão complexo como a filosofia?
RA) Sempre fui mais emocional que racional e me interesso pelo ser humano.

AX) Que profissão seguiria se não fosse essa?
RA) Seria ator, jogador de futebol (quase foi) ou padre. Eu ás vezes me pergunto se fiz a escolha certa.

AX) Ronaldo por Ronaldo. Como você se define?
RA) Imperfeito, e algumas vezes chato.

Entrevistado por: Thaissa Sousa
Postado por: Edson Paiva

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